Cardiomiopatia dilatada em gato

relato de caso

Autores

  • Jessica Correa
  • Henrique Jonatha Tavares

Resumo

A cardiomiopatia dilatada (CMD) é uma doença caracterizada pela degeneração progressiva do miocárdio, dilatação das câmaras ventriculares, disfunção sistólica e arritmias, podendo progredir para uma insuficiência cardíaca e morte. A CMD em felinos ocorre devido a deficiência de taurina, como consequência de uma alimentação inadequada, porém pode surgir de forma idiopática. Esse trabalho tem como objetivo elucidar o conceito de CMD, seus principais sinais clínicos e formas de diagnóstico, bem como descrever os achados de necropsia de um felino necropsiado durante aula prática da disciplina de Patologia Animal. Os principais sinais clínicos observados são letargia, fraqueza, taquipneia e/ou dispneia, intolerância ao exercício, tosse, anorexia, ascite, síncope e caquexia cardíaca. Sinais de insuficiência cardíaca direita e/ou esquerda podem estar presentes, pois o preenchimento arterial é prejudicado, levando à retenção de sódio arterial que acarreta em expansão do volume plasmático. Ao realizar o exame físico, o animal pode apresentar hipotermia, desidratação, pulso femoral fraco, ausculta cardíaca com batimento em ritmo de galope e em alguns casos sopro leve. Conforme a doença progride, o animal pode apresentar sinais de tromboembolismo arterial, obstrução parcial ou total de uma artéria por um trombo, devido ao dano endotelial secundário à dilatação do átrio esquerdo. O diagnóstico é obtido mediante ecodopplercardiográfico, considerado padrão-ouro, mais indicado para a confirmação da afecção, junto com exames complementares como: radiografia, eletrocardiograma e exames laboratoriais, como a mensuração plasmática de taurina. Em caso de morte, a necropsia é indicada para confirmação do diagnóstico. Tendo em vista o diagnóstico post mortem, foi realizada a necropsia de um felino, fêmea, castrada, de aproximadamente 2 anos de idade. Ao exame externo do animal evidenciou-se escore de condição corporal 4 (escala de 1 a 9), mucosas cianóticas, além de grande quantidade de pulgas por todo o corpo do animal. Ao rebater a pele do animal, notou-se presença de hematoma na região latero-dorsal das costelas (entre a 3ª e 6ª costela) e na região abdominal, sendo sugestivos de trauma. Na abertura da cavidade abdominal, foi possível observar a presença de grande quantidade de sangue livre (hemoperitônio). Ao exame do intestino constatou-se a presença de discreta quantidade de vermes no intestino delgado. Durante a inspeção cardíaca evidenciou-se uma dilatação das câmaras cardíacas direitas bem como um abaulamento do ápice cardíaco, alterações essas sugestivas de cardiomiopatia dilatada.  Quando diagnosticada de forma precoce a CMD pode ser tratada, com objetivo de minimizar os efeitos da insuficiência cardíaca, sendo implementado de acordo com a fase em que se encontra o animal. Após o início dos sinais clínicos o prognóstico é desfavorável, e alguns fatores podem influenciar a sobrevida tanto de maneira positiva ou negativa. Em contrapartida, com o diagnóstico precoce pode-se retardar a progressão da doença.

Palavras-chave: Felino; Insuficiência cardíaca; Necropsia.

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Publicado

2022-12-30