Leishmaniose felina

revisão de estudos de casos

Autores

  • Kathleen Nogueira Fernandes Maestro
  • Jéssica Pellisoli Teixeira
  • Thayne Woycinck Kowalski

Resumo

A leishmaniose é uma doença endêmica e zoonótica, de grande relevância, causada pelo protozoário Leishmania sp. Dos casos registrados na América Latina, 90% se originam do Brasil. Este resumo tem o objetivo de fazer um levantamento dos relatos de casos realizados no Brasil a fim de elucidar o papel do gato como reservatório da leishmaniose e assentar alguns pontos da clínica da doença nos felinos. Como método de pesquisa foram feitas buscas nas plataformas Google Acadêmico, Scielo Brasil e Ministério da Saúde, filtrando por artigos do tipo relatos de casos em português a partir do ano 2018. A busca resultou em quatro relatos, após leitura e seleção, a serem discutidos a seguir. O Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe realizou pesquisa com 85 felinos sintomáticos e assintomáticos domiciliados e 15 felinos peridomiciliados de colônias felinas de Aracaju e região. Dos 100 felinos, 19 testaram positivo mediante análise de amostras medulares. Onze dos 19 felinos apresentaram desidratação e 10 apresentaram linfonodos reativos. O Hospital Veterinário de Campina Grande, campus de Patos-PB, realizou estudo com 423 felinos, dos quais 28 testaram positivos no teste de triagem DDP®, 123 foram positivos pelo ELISA S7®. Foram consideradas apenas as amostras que positivaram nos dois testes, obtendo-se uma prevalência de 16 felinos positivos, sendo que destes foi possível encontrar a ficha clínica de apenas 14 animais. Neste estudo, 85,7% dos animais apresentaram ao menos um sinal clínico sugestivo de Leishmaniose Visceral Felina (LVF), dentre eles: magreza, áreas de alopecia e ulceração, mucosas hipocoradas, desidratação e linfadenomegalia. O Hospital Veterinário do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba realizou estudo com 70 gatos e apenas dois testaram positivos para LVF através do teste ELISA, porém sete amostras foram inconclusivas, portanto, 61/70 foram negativos. Um macho positivo apresentava desidratação e hiporexia, e a fêmea positiva possuía os mesmos sintomas úlceras orais, poliúria e polidipsia. Houve pesquisa em região endêmica no Estado de São Paulo, na cidade de Bauru, onde coletou-se amostra de 276 felinos, dos quais 82 foram positivos no teste de ELISA, 17 pelo RIFI e 10 em ambos. Foram considerados apenas os que positivaram em ambos os testes e destes 10 felinos, quatro eram errantes. Não foi feita a análise dos sinais clínicos neste caso. Em todos os estudos acima relacionados, a soroprevalência da LVF foi baixa e a desidratação foi o sinal clínico que apresentaram em comum. Um dado relevante é que a maior parte dos animais positivos tinha acesso à rua e não recebiam cuidados básicos como vermifugação e vacinação. Mesmo com o aumento considerável do número de felinos como animais de estimação, poucos estudos recentes foram encontrados sobre o tema, que tem relevância clínica, principalmente como diagnóstico diferencial com outras doenças e também porque o tratamento da leishmaniose felina é apenas paliativo.

Palavras-chave: Zoonose; Saúde única; Gato

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Publicado

2022-12-30