Relato de Experiências de Observação de pacientes neurológicos na Sala de Espelhos na Disciplina de Fisioterapia Neurofuncional I

Autores

  • Geraldo Passos Bittencourt
  • Silvia Lemos Fagundes

Resumo

Para os acadêmicos a disciplina de Fisioterapia Neurofuncional gera expectativa, receios, mitos e preocupações diante da quantidade semântica e da complexidade de conhecimentos. O relato tem paradigma descritivo e tem o objetivo de descrever ferramentas e atividades de aprendizagem realizadas durante o semestre. São experiências vivenciadas pelos acadêmicos na 'sala de espelhos'. A sala é dividida em 2 ambientes por uma película por onde, de um lado, os acadêmicos permanecem sentados observando os atendimentos e do outro, sem enxergarem a plateia, os pacientes (PC) são avaliados e atendidos. Qualquer fala ou ruído ali produzidos transpassam para a sala de observação através de um microfone para que os acadêmicos possam escutar.  Resultado: Foi observado o atendimento de 2 PCs neurológicas, ambas na faixa dos 25 anos, com hipertonia espástica. A primeira PC tinha problemas neurológicos e cognitivos desde o nascimento tendo uma idade cognitiva de apenas 4 anos. Possuía espasticidade hemiplégica do lado esquerdo. Há espasticidade em menor grau no MSD. Tinha dificuldade na deambulação. A marcha é característica apresentando extensão dos membros inferiores. Possui um volume abdominal evidenciado com uma possível disfunção intestinal podendo estar relacionado ao dano neurológico. Quanto a independência funcional é possível inferir que está bem próxima de uma ‘ajuda máxima’ (autonomia de 25%). A outra paciente, diagnosticada com um tumor no quarto ventrículo cerebral (4VC), tendo sido submetida a uma cirurgia de emergência com intercorrências, não apresenta problema cognitivo aparente. O tumor ocasionou um bloqueio e com acúmulo de líquor na região superior/anterior ao 4VC ocasionando uma pressão do nervo óptico, o que fez com que o olho direito rodasse causando um grau considerável de estrabismo. Esta mesma pressão atingiu outras regiões do cérebro ocasionando espasticidade unilateral do lado direito. A espasticidade é em grau menor que a primeira PC. Tem plena consciência de suas limitações e entende e confia nas orientações que são repassadas pelos profissionais que a atende, fazendo exercícios para sua melhora motora e sensorial.  Sua marcha é continua e suave, tendo uma deambulação lenta, mantendo os pés e dedos afastados aumentando a base e oscila a parte superior jogando o corpo para cima do pé de apoio. Sua pisada foi avaliada no podoscópio tendo o pé normal, com distribuição da carga para frente e pisada neutra. Quanto a independência funcional, pode ser classificada como ‘independência modificada’ e ‘dependência modificada – supervisionado’. Discussão: Todos os aspectos da observação aqui tratados foram contemplados a partir da sala de observação, demonstrando a sua importância. A observação da prática é uma ferramenta poderosa para o aprendizado em geral e fundamental para o exercício da clínica fisioterápica. Talvez, em uma escala de grandeza, a observação da prática só fique abaixo da própria prática para a fixação total dos conhecimentos teóricos adquiridos. Esta metodologia aliada ao uso da 'Sala de Espelhos' se torna imprescindível para o aprendizado, pois a arquitetura construída ali possibilita que muitos alunos observem situações que de outra forma seria impraticável, bem como protege o PC neurológico de estar cercado por acadêmicos ávidos por conhecimento.

Palavras-chave: Fisioterapia, Pacientes neurológicos, Sala de Espelhos, Ferramentas e atividades de aprendizagem

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Publicado

2022-12-30