Reflexos psicossociais e nutricionais da pandemia em crianças em idade escolar

Autores

  • Alexsandro Ninggermann FARIA Centro Universitário Cesuca
  • Chaline Caren COGHETTO Centro Universitário Cesuca

Resumo

É visível o quanto o período da pandemia e o distanciamento social têm impactado a vida dos indivíduos. É notório principalmente nas crianças em idade escolar (6 a 12 anos), que estão em pleno desenvolvimento psicológico, emocional, social e cognitivo. Agravos como ansiedade, depressão e excessivo ganho de peso estão em grande destaque. O objetivo desta análise é apresentar os principais fatores que desencadeiam estes agravos para elaboração de ações que visem reduzir os danos provocados a saúde destas crianças. O estudo foi feito a partir da leitura e análise de artigos científicos dispostos na base de dados do Google Acadêmico sobre a relação da pandemia de COVID-19 com as alterações psicológicas e obesidade infantil. Os primeiros reflexos da pandemia chegaram à população brasileira no mês de março de 2020, quando medidas de proteção adotadas pelo governo determinaram o distanciamento social e o interrompimento de atividades de vários setores considerados não essenciais, incluindo o encerramento das atividades escolares presenciais. Como medida para não prejudicar o processo de aprendizado das crianças, as escolas adotaram o método de ensino a distância, vários meios foram empregados para viabilizar esta nova proposta de ensino, tais como, coletas de atividades impressas nas escolas, bem como vídeo aulas transmitidas por plataformas digitais. Esta nova forma de aprender trouxe vários reflexos negativos, como psicossociais e nutricionais. A rotina das crianças é constituída pelo convívio familiar, contato com os amigos e colegas de escola, e comunicação com os educadores. Na escola costumam realizar tarefas de aprendizagem, recreativas e de sociabilização. Com o interrompimento das atividades escolares as crianças se viram forçadas a ficarem isoladas em suas casas, sem poderem realizar atividades físicas, sem interagirem com outras crianças, expostas a eletrônicos, televisão e vídeo game, como passatempo, e isso tem gerado agravos como ansiedade e depressão e tem contribuído para o ganho de peso e obesidade. O fato de as crianças estarem apresentando alterações comportamentais no ambiente domiciliar pode estar relacionado a diversos fatores, tais como, o confinamento e a impossibilidade de socializar, a pressão de não receberem atenção necessária dos pais/responsáveis que se vêm estressados com vários outros problemas relacionados a sua vida profissional, conjugal e a administração do lar. Fatores que tem gerado o ganho de peso estão relacionados como o alto consumo energético e de alimentos ultra processados, a falta de atividade física, as inúmeras horas ocupadas com jogos eletrônicos, televisão, e fatores psicológicos relacionados a transtornos alimentares. No ambiente familiar a qualidade dos alimentos ofertados para estas crianças pode ter sido afetada pelo aumento de pais desempregados, com salários reduzidos, além do acréscimo dos preços de muitos alimentos. Inúmeros são os problemas trazidos pela pandemia e enfrentados pelas crianças, grupos familiares e pela sociedade geral. Estes agravos terão reflexos vistos por um longo período e ações deverão ser desenvolvidas para estabelecer minimizar estes impactos. Medidas político administrativas e no setor da saúde deverão ser focalizadas e agilizadas em práticas para que o quanto antes se possa reverter os vários prejuízos biopsicossociais oriundos deste período anômalo. 

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Publicado

2021-12-03