Avaliação sociodemográfica de gestantes internadas por Covid-19 a partir de dados públicos

Autores

  • Douglas Pereira ELIZANDRO Centro Universitário Cesuca
  • Caroline Reis da SILVA Centro Universitário Cesuca
  • Vinícius Oliveira LORD Centro Universitário Cesuca
  • Thayne Woycinck KOWALSKI Centro Universitário Cesuca

Resumo

O novo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, ocasionou em uma pandemia que perdura até os presentes dias. Ele causa a Covid-19, altamente contagiosa e que em alguns casos leva à necessidade de internações em unidades de alta complexidade, ocasionando uma superlotação em leitos de terapia intensiva. Assim como inúmeras patologias, o SARS-CoV-2 apresenta maior risco para alguns grupos específicos com doenças crônicas. Para gestantes, o prognóstico da doença não é satisfatório quando há necessidade de internação em uma unidade de terapia intensiva (UTI). Este trabalho objetiva demonstrar o perfil sociodemográfico de gestantes com Covid-19 internadas nas UTIs do estado do Rio Grande do Sul (RS), a partir de registros em bancos de dados públicos. Trata-se de um estudo quantitativo com dados públicos obtidos através do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19), sendo apresentadas as frequências descritivas a respeito das internações em UTI por gestantes, além das análises estatísticas, que foram executadas no Software SPSS v.20. Foi realizado o Teste Qui-Quadrado para comparação entre os grupos. Houve 624 internações de gestantes em virtude da Covid-19 entre 2020 e 2021. Dessas, 185 (29,6%) necessitaram de internação em UTI. A parcela de gestantes pretas que necessitou de UTI é de 36,4% (n=16/44), já a parcela de gestantes brancas internadas em UTI foi de 29,5% (n=160/383); esse dado não foi estatisticamente significativo (p=0,522). Apesar disso, 32,5% (n=52/160) das brancas foram a óbito, enquanto 25% (n=4/16) das pretas tiveram essa pior evolução; esse dado também não apresentou significância estatística (p=0,591). Avaliando-se a escolaridade, apenas 11,4% (n=12/105) das gestantes em UTI tinham Ensino Superior completo, sendo apenas uma de cor preta. Para 142 mulheres havia dados sobre o trimestre gestacional, e a maior parte das gestantes internadas em UTI (59,9%) estavam no terceiro trimestre de gestação (n=85/142). A oscilação no número de registros, para as diferentes características sociodemográficas, sugere um preenchimento incompleto das informações pelos profissionais de saúde, o que demonstra a necessidade de capacitações para melhor qualidade destes dados e, consequentemente, auxiliar a melhor traçar esse perfil de risco para buscar estratégias de prevenção. O perfil sociodemográfico gestacional, apesar de não ser estatisticamente significativo, pode estar correlacionado também às discrepantes desigualdades sociais raciais fora do âmbito da Covid-19 na população brasileira. Ressalta-se que os números amostrais são pequenos, o que pode ter contribuído para a falta de associação estatística. As maiores internações no terceiro trimestre podem estar associadas à mecanismos imunológicos da gestação. 

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Publicado

2021-12-03