É possível seguir o sonho de ser uma atleta profissional após a maternidade?

Autores

  • Eduarda Selau LUMERTZ Centro Universitário Cesuca
  • Guilherme Cortoni CAPORAL Centro Universitário Cesuca

Resumo

O futebol feminino vem conquistando o seu espaço mesmo com o histórico Decreto-Lei 3.199, art. 54 de 1941, que proibiu a prática desportiva das mulheres por 40 anos. Após o fim do decreto supracitado, a modalidade começou a ser vista e praticada a partir da década de 80. Na atualidade, está numa crescente com diversos campeonatos de base e profissional, principalmente depois do ano de 2013 onde foi disputada a primeira edição do Campeonato Brasileiro Feminino. Recentemente em 2019, passou a ser obrigatório os clubes de Série A do futebol masculino terem a equipe feminina para poderem disputar os torneios nacionais e internacionais. Mesmo com esses avanços, a realidade do futebol feminino ainda requer o seu reconhecimento e valorização de fato. É necessário o profissionalismo de todas as atletas, alojamentos, estrutura para treinos e jogos, bem como investimento na modalidade. Visto que ainda vivemos em uma sociedade patriarcal, onde ser mulher é sinônimo de resistência, ainda mais se for atleta ou ter o sonho de jogar futebol no qual o preconceito é fortemente existente no meio esportivo. Meninas e mulheres exemplificam e fazem lembrar essa luta de amor pelo esporte, onde por muitas vezes a falta de investimento e visibilidade é um fator significativo para a desistência de muitas atletas. Mesmo com esses avanços seria possível seguir com a carreira no esporte após a maternidade? O objetivo deste resumo é relatar através da experiência de duas atletas acerca da maternidade no futebol feminino. Dentre os diversos casos de insucesso administrativo dos clubes ao darem condições das mulheres exercerem seus papéis de mãe, existem, também, casos positivos. Pode-se citar a realidade da lateral esquerda, Tamires, que foi mãe aos 21 anos, no início da sua carreira, ela achava que por conta da gravidez, já havia se encerrado. No começo ela abdicou do sonho profissional para voltar as suas atenções ao seu filho. Quatro anos depois ela retomou a carreira e em seguida veio a convocação para a Seleção Brasileira, tendo que aprender a lidar com a distância por conta das viagens. Mesmo com a situação complicada, Tamires sempre se viu otimista em relação ao futuro dela e de seu filho. Outra realidade é a da atacante da Seleção Brasileira, Cristiane. Ela e a sua companheira tinham o sonho de ser mães e assim o fizeram por meio da inseminação artificial, por conseguinte quem engravidou foi sua companheira. As duas decidiram que quem iria carregar o filho seria a sua companheira, por conta da profissão da Cristiane, entendendo que seu corpo é indispensável para o alto rendimento. No entanto, mesmo não carregando o filho, o clube da Cristiane, deu total respaldo para a atleta, deixando-a totalmente segura de seu emprego e o sonho de ser mãe. Dependendo do apoio e estrutura do clube, com certeza seria possível seguir com os dois sonhos. Um desejo pode andar concomitantemente com o outro, mesmo faltando profissionalismo por parte do clube que pode acabar com um dos sonhos de diversas mulheres. 

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Publicado

2021-12-03