Mecanismos de neurodegeneração na doença de Alzheimer

uma revisão da literatura

Autores

  • Thaliane Carvalho OLIVEIRA Centro Universitário Cesuca
  • Thayne Woycinck KOWALSKI Centro Universitário Cesuca

Resumo

A doença de Alzheimer (DA) é uma patologia neurodegenerativa progressiva que afeta diretamente a perda neuronal, causando a morte dos neurônios por depósitos de proteínas, localizadas em áreas distintas do cérebro. A DA está relacionada à idade, sendo a principal e mais comum causa de demência e com alto índice de mortalidade. O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão bibliográfica sobre a fisiopatologia da neurodegeneração ocorrida na DA. Para tanto, foram selecionados artigos no Google Acadêmico, utilizando-se os seguintes termos de busca: “neurodegeneração”, “Alzheimer” e “fisiopatologia”. O Alzheimer consiste na perda sináptica e morte neuronal que foram observadas nas regiões cerebrais responsáveis pelas funções cognitivas, incluindo o córtex cerebral, o hipocampo, o córtex entorrinal e o estriado ventral. Patologicamente, é caracterizada por um excesso de proteínas beta amiloide e Tau no sistema nervoso central. Como consequência deste acúmulo, ocorre a atrofia cerebral e a neurodegeneração no hipocampo e no córtex cerebral. A descoberta do peptídeo bete amiloide, como principal componente das placas senis, fez com que aumentasse o interesse em descobrir e compreender como funciona esse mecanismo, como ele é formado, qual é o processo que leva a sua agregação em forma de placa e, também, explicar como esse acúmulo beta amiloide leva o dano neural. O peptídeo beta amiloide produzido tem dois caminhos a serem escolhidos, ou fica de forma solúvel, ou de forma insolúvel. Na forma solúvel, ele irá permanecer no meio extracelular, já na forma insolúvel, irá agregar-se, depositando na forma de placas senis. A forma insolúvel foi considerada, por muito tempo, a única forma patogênica do peptídeo beta amiloide, mas estudos recentes indicam que formas oligoméricas, que correspondem a forma solúvel, apresentariam potencial neurotóxico e afetariam várias vias de sinalização celular. No entanto, ainda não há um consenso que determine qual forma tem maior ligação e influência para o desenvolvimento da DA. Além do acúmulo beta amiloide, emaranhados neurofibrilares intracelulares foram observados e identificaram a proteína Tau como formadora destes emaranhados. A partir disso, surgiu a hipótese de que uma degeneração no citoesqueleto neuronal estaria envolvida na patogenia da DA. A proteína Tau tem como principal função bioquímica o fortalecimento dos microtúbulos, atuando na regulação da polimerização e despolimerização dos mesmos, durante o desenvolvimento de extensão axonal. A proteína Tau pode ser hiperfosforilada, juntamente com a ação das enzimas cinases diretas, este processo acaba comprometendo a ligação da proteína a tubulina e, por consequência, leva a uma desestabilização dos microtúbulos. Com a desorganização do transporte axonal, o desmanche dos microtúbulos e o depósito de proteína Tau hiperfosforilada, ocorrem alterações bioquímicas e morfológicas dos neurônios, acontecendo então a perda da função e morte neuronal. O caminho para a cura da DA não é fácil, já que os fármacos aprovados aliviam apenas parcial e temporariamente alguns sintomas, mas não impedem o avanço da doença, já que, uma vez danificado o tecido e as células do sistema nervoso, os danos são irreversíveis. Portanto, o entendimento dos mecanismos de neurodegeneração pode ser crucial na busca por melhores alternativas terapêuticas. 

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Publicado

2021-12-02