O retorno às aulas de crianças de séries iniciais e os reflexos da pandemia

Autores

  • Jéssica Helena Erguy CARRABBA Centro Universitário Cesuca
  • Lênin Rével CARDOSO Centro Universitário Cesuca
  • Priscila da Silva Julhão da MOTTA Centro Universitário Cesuca
  • Vitória Silveira de SOUZA Centro Universitário Cesuca
  • Loiva dos Santos LEITE Centro Universitário Cesuca

Resumo

O retorno gradativo das aulas, no contexto da pandemia por Covid-19, traz consigo inúmeros aspectos que têm chamado atenção dos estagiários de psicologia comunitária, inseridos em escolas. Além das dificuldades de aprendizagem inerentes ao processo de ensino de crianças, situações de violação de direitos e o estresse dos professores na condução cotidiana do trabalho em sala de aula, têm produzido inúmeros questionamentos nos alunos da psicologia. Diante desse cenário, este trabalho se propõe a realizar uma breve reflexão crítica, a partir do relato de experiência, acerca das demandas do campo de práticas em psicologia comunitária, em duas escolas municipais de uma comunidade da cidade de Cachoeirinha, Rio Grande do Sul. A inserção dos estudantes se deu a partir do mês de agosto de 2021 e a metodologia incluiu observações em sala de aula, nos momentos de interação das crianças em atividades lúdicas, aulas de educação física e no pátio da escola. Os estagiários realizaram contato inicial com crianças de 8 a 11 anos, estudantes dos 3º, 4º e 5º anos, identificadas pela coordenação pedagógica e professores como “alunos com problemas” e entrevistaram sete pais ou responsáveis. Constatou-se, principalmente, casos de dificuldade de interação social com professores e/ou colegas, comportamento retraído, embotamento afetivo, baixa autoestima, problemas de aprendizagem e negligência parental. Como as aulas do ano de 2020 transcorreram unicamente de forma virtual, essa modalidade demandou maior atenção e orientação dos genitores que, por sua vez, enfrentavam sequenciais abalos devido ao contexto da pandemia. O luto por perdas de entes queridos, desemprego e o desafio de auxiliar os filhos nas demandas relacionadas à escolarização, fez com que nem sempre fosse possível corresponder ao esperado pela escola. Além disso, a interação social ficou comprometida, pois as relações ocorreram de forma online, através de tecnologias digitais, para os que dispunham deste acesso. Assim, o retorno às aulas presenciais evidenciou dificuldades acentuadas de aprendizagem, associadas ao contexto de vulnerabilidade social como pobreza, violência e tráfico de drogas, no qual as comunidades escolares estão inseridas. A realidade cotidiana, verificada nas observações adentra o ambiente escolar, que por sua vez, necessita ser suporte de segurança, alimentação e ensino para os alunos. Foi observado também, que algumas crianças chegam à escola com fome e, eventualmente, são esquecidas pelos pais no horário de saída do colégio. A coordenação pedagógica busca orientar os alunos e suas famílias, mas nem sempre encontram discernimento para as situações presenciadas. O desgaste emocional dos professores torna-se uma possível consequência da sobrecarga de trabalho e do estresse por demandas de ensino diferenciadas para alunos de uma mesma turma. Somando aos desafios que já existiam na atuação da psicologia nas escolas, o retorno traz consigo inseguranças, medos e angústias que desafiam, uniformemente, profissionais da educação, alunos e familiares. A partir dos aspectos analisados, torna-se mister, aos estagiários de psicologia, acolher, avaliar e intervir nas demandas da comunidade escolar contextualizadas com o cenário atual da pandemia.

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Publicado

2021-12-03