Violência obstétrica contra mulheres negras em instituições no Brasil

uma análise documental

Autores

  • Caroline Reis da SILVA Centro Universitário Cesuca
  • Gisele Cristina TERTULIANO Centro Universitário Cesuca

Resumo

A violência obstétrica se caracteriza por qualquer ação realizada por profissionais de saúde comprometendo integridade física e dignidade humana da mulher durante a gestação, parto e pós-parto. Esse tipo de violência contra as mulheres é uma preocupação central dos movimentos sociais e pesquisadores há décadas. Outra questão central é a história do parto no Brasil desde a construção da medicina moderna como prática e campo de estudos. Consideramos esta inter-relação entre a formação social brasileira do fim do período escravagista ao período pós-abolição com a saúde das mulheres negras. Por desconhecimento da PNSIPN, marco importante para debater sobre discriminações, acredita-se não existir discriminação racial no Brasil. Verificou-se pela literatura disponível o fenômeno da violência obstétrica em mulheres negras nos serviços de saúde, compreendendo expressões do racismo na perspectiva estrutural e institucional. Trata-se de uma análise documental da literatura disponível do ano de 2013 a 2020 construída a partir de manuais de Políticas Públicas em Saúde, documentos digitais disponíveis em sites sobre a temática do racismo contra as mulheres negras, artigos científicos, monografias, teses, entre outros. À busca foram utilizadas as seguintes palavras-chave: desigualdade racial em saúde, racismo em saúde, interseccionalidade, violência contra a mulher. A luta pelo fim das desigualdades e iniquidades deve ser coletiva, sendo indispensável a existência dos estudos do feminismo negro e interseccional para pensarmos as relações entre gênero, classe e raça, promovendo soluções ao problema-objeto deste trabalho. Construir modelo de assistência mais humanizado e preparado para receber estas mulheres é um processo lento e contínuo dada a naturalização da violência no modelo atual, evidências encontradas neste estudo demonstram mulheres acreditando ser algo normal e aceitável. Portanto, reconstruir o modelo atual depende do Poder Público, da mobilização de diversos setores da sociedade junto à conscientização coletiva sobre a existência deste problema nas Instituições de Saúde. 

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Publicado

2021-12-03