Uso da pele de tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) no tratamento de queimaduras

Autores

  • Priscila Pedrozo FLORES Centro Universitário Cesuca
  • Lucia Fabiane da Silva LUZ Centro Universitário Cesuca

Resumo

A tilápia é um peixe da família dos Cichlidae, proveniente da África do Sul, muito consumido entre os brasileiros devido ao seu baixo custo e carne saborosa. O que muitos não sabem é que a pele deste peixe é um item nobre, de alta qualidade e que possui resistência como couro. Em 2015, o Brasil foi o primeiro país no mundo a possuir um Banco de Pele de Animal Aquático, o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos do Ceará (NPDM) e atualmente contamos com mais três unidades parceiras nas cidades de: São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Segundo a OMS deveríamos ter treze bancos de pele no Brasil para suprir a alta demanda. A matéria-prima usada é um subproduto residual do processamento da tilápia, seu uso tem aplicabilidade clínica de novos biomateriais. Pesquisadores Brasileiros desenvolveram um método que utiliza a pele de tilápia como material biológico alternativo aos enxertos de pele humana, sendo bem similar à da pele humana, segundo os autores gera menos custo ao tratamento de queimados, quando comparado ao tratamento convencional com sulfadiazina de prata. Estudos histológicos demonstraram que a epiderme da tilápia é revestida por um epitélio pavimentoso estratificado, seguido de camadas de colágeno. O colágeno é um dos principais componentes dos biomateriais, devido à sua característica de orientar e de definir a maioria dos tecidos, que favorecem a sua aplicação. O detalhamento da quantidade e o tipo de colágeno presente configuram-se como formas de caracterização. Objetivo: Avaliar através dos artigos científicos as evidências do uso da pele da tilápia do Nilo no tratamento da queimadura. Metodologia: Trata-se de uma busca de artigos científicos dos últimos 10 anos, usando as palavras-chaves, pele, tilápia e materiais biocompatíveis, pesquisados nos bancos de dados da biblioteca virtual em saúde, Scielo e Bdenf. Foram incluídos artigos publicados no período de 2011 a 2021, em português, na íntegra e gratuito e excluídos manuais, Trabalho de Conclusão de Curso, teses, dissertações e revisões. Resultado: Com base nos resultados obtidos até o momento, a utilização da pele de tilápia se mostra promissora, devido ao seu alto nível de colágeno tipo I, esperasse que ao longo dos anos mais estudos possam ser dirigidos para comprovar a eficácia da pele de tilápia no tratamento de queimaduras de 2º e 3º e que mais unidades do banco de pele de animal aquático possam ser abertas no Brasil, para que mais pessoas possam ser assistidas com este tratamento simples e inovador. Conclusão: Estudos demonstraram que a pele de tilápia apresenta altos níveis de colágeno tipo I, maiores que da pele humana, observou-se uma ótima aderência no leito das feridas, interferindo positivamente no processo de cicatrização. Esses achados demonstram que a utilização da pele da tilápia implica numa melhora na qualidade de vida do paciente. Mais estudos sobre esse tratamento estão sendo desenvolvidos.  

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Publicado

2021-12-03