Avaliação do índice de massa corporal e do consumo agudo de alimento palatável em dependentes químicos de uma comunidade terapêutica

  • Thayná Rodrigues CAFERATI Cesuca- Faculdade Inedi
  • Larissa Cardoso MACHADO Cesuca- Faculdade Inedi
  • Lara Borges FERREIRA Cesuca- Faculdade Inedi
  • Tania Diniz MACHADO Cesuca- Faculdade Inedi
  • Carine LAMPERT Cesuca- Faculdade Inedi
  • Roberta DALLE MOLLE Cesuca- Faculdade Inedi

Resumo

Introdução: De acordo com a literatura, o consumo excessivo de alimentos palatáveis é capaz de alterar significativamente a função e a sensibilidade do sistema dopaminérgico, gerando comportamentos similares ao de usuários de substâncias psicoativas, como, por exemplo, o intenso desejo pelo alimento na busca por prazer. Portanto, tem-se observado que indivíduos que apresentam algum tipo de compulsão alimentar se assemelham no comportamento aos que possuem algum tipo de dependência de drogas. Sendo assim, a identificação de distúrbios alimentares em dependentes químicos é importante, pois o consumo exacerbado de alimentos palatáveis pode deixar estes indivíduos mais susceptíveis a recaídas, dificultando sua recuperação. O objetivo deste estudo é avaliar o estado nutricional e o consumo agudo de alimento palatável em dependentes químicos em fase de recuperação e relacionar o consumo de alimento doce com o número de internações para recuperação da dependência química. Metodologia: Estudo transversal no qual estão sendo avaliados dependentes químicos internados em uma comunidade terapêutica de Gravataí. Para avaliação do estado nutricional foi calculado o índice de massa corporal (IMC) após aferidos o peso e a estatura dos participantes. O IMC foi classificado de acordo com os pontos de corte da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a avaliação do consumo agudo de alimento palatável foi realizada uma tarefa alimentar, em estado alimentado, que consistia em convidar os participantes a experimentar dois tipos de biscoitos doces e supostamente fazer uma análise sensorial através de uma escala de palatabilidade, crocância e prazer, sendo que o objetivo era avaliar quantos biscoitos o participante consumiu em um período de cinco minutos quando isolado em uma sala. Antes da tarefa alimentar foi aplicada uma escala de zero a dez para avaliar fome e saciedade. Resultados e conclusão: Até o momento, foram avaliados 22 homens na segunda fase da internação, ou seja, após período de desintoxicação. A média de idade foi 38,9 ± 10,50 anos e o período médio da internação atual foi 6,2 ± 1,87 meses. Encontrou-se um IMC médio de 24,87 ± 3,63 kg/m2, sendo 50% (n=11) eutróficos e 45,4% (n=10) com excesso de peso. As medianas das escalas de fome e saciedade foram 0,0 (P25=0,0 e P75=5,0) e 7,5 (P25=5,0 e P75=8,0), respectivamente. O número médio de biscoitos consumidos durante a tarefa alimentar foi 20,36 ± 11,42; sendo que 45,5% (n=10) dos participantes consumiram mais da metade do total de biscoitos disponibilizados. O número de biscoitos consumidos agudamente não esteve relacionado com o IMC (r=0,059; p=0,793) nem com o número de internações (r=0,018; p=0,938). Os dados parciais do estudo mostram um percentual elevado de dependentes químicos com excesso de peso e que também vários deles consumiram mais da metade dos biscoitos disponibilizados mesmo estando alimentados. Não se observou relação entre o consumo agudo de alimento palatável e o número de internações. O estudo segue em andamento para aumento do número de participantes e continuidade das análises dos dados.

Publicado
2019-12-30
Como Citar
CAFERATI, Thayná Rodrigues et al. Avaliação do índice de massa corporal e do consumo agudo de alimento palatável em dependentes químicos de uma comunidade terapêutica. MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO CESUCA - ISSN 2317-5915, [S.l.], n. 13, p. 467-468, dez. 2019. ISSN 2317-5915. Disponível em: <http://ojs.cesuca.edu.br/index.php/mostrac/article/view/1672>. Acesso em: 31 out. 2020.