Levantamento epidemiológico e caracterização das anomalias congênitas no município de Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, entre 2007-2017

  • Caroline Reis da SILVA Cesuca- Faculdade Inedi
  • Fernanda da Costa SOUZA Cesuca- Faculdade Inedi
  • Douglas Pereira ELIZANDRO
  • Gisele Cristina TERTULIANO
  • Flávia Roberta BRUST
  • Thayne Woycinck KOWALSKI

Resumo

Anomalia congênita é definida como toda anomalia funcional ou estrutural no desenvolvimento, decorrente de fatores genéticos e ambientais. As anomalias congênitas são a segunda causa de mortalidade infantil no Brasil, sendo sua etiologia desconhecida em até 75% dos casos. A caracterização das anomalias congênitas pode ser essencial para futuras medidas que evitem mortalidade e morbidade dessa criança. O objetivo desse trabalho foi descrever a frequência de anomalias congênitas em recém-nascidos no município de Cachoeirinha, no estado do Rio Grande do Sul, entre 2007 e 2017, classificando-as de acordo com a estrutura ou função acometida. O presente estudo encontra-se aprovado no Comitê de Ética da instituição CESUCA (CAAE 14684619.8.0000.5665), estando ainda em andamento. Trata-se de um estudo descritivo, com base no DATASUS, disponibilizados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Foram incluídos dados entre 2007 e 2017 de nascidos vivos de residentes no município de Cachoeirinha, RS, região metropolitana de Porto Alegre. As análises estatísticas foram executadas no SPSS v.20. A prevalência de AC no período de 2007 a 2017 foi de 1,26% nos nascidos vivos (n=256/20355). Identificou-se maior frequência de anomalias congênitas do aparelho osteomuscular (21,48%), aparelho circulatório (14,06%) e outras anomalias no sistema genitourinário (11,72%). No entanto, o número de casos com cada tipo de anomalia foi muito variável dentro do período registrado. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os nascidos vivos com anomalias congênitas quando avaliando idade materna (p=0,207), porém um maior número de crianças com anomalias congênitas foi associado a gestações múltiplas (p=0,005), sexo masculino (p=0,005), baixa escolaridade materna (p<0,001), prematuridade (p<0,001) e baixo peso ao nascer (p<0,001). A baixa prevalência de anomalias congênitas pode estar relacionada a um sub-registro no preenchimento da Declaração de Nascido Vivo. As características sociodemográficas estão de acordo com o esperado, no entanto a maior prevalência de anomalias congênitas em neonatos do sexo masculino deve ser melhor investigada, especialmente relacionando com fatores genéticos e ambientais. Outras perspectivas para a próxima etapa desse estudo incluem a investigação da etiologia dessas anomalias congênitas, através de uma avaliação individualizada junto a Secretaria Municipal de Saúde de Cachoeirinha. Será realizada a coleta dos dados do pré-natal, gestação, aspectos socioeconômicos maternos e a classificação de cada anomalia congênita de acordo com o Comitê de Investigação de Doenças (CID-10). Esse levantamento epidemiológico é fundamental para a formulação de medidas preventivas e para provir um maior acesso à informação para a comunidade.

Publicado
2019-12-30
Como Citar
SILVA, Caroline Reis da et al. Levantamento epidemiológico e caracterização das anomalias congênitas no município de Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, entre 2007-2017. MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO CESUCA - ISSN 2317-5915, [S.l.], n. 13, p. 19-30, dez. 2019. ISSN 2317-5915. Disponível em: <http://ojs.cesuca.edu.br/index.php/mostrac/article/view/1663>. Acesso em: 31 maio 2020.