A importância do estudo da brincadeira no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

  • Ricardo Rodrigues da SILVA

Resumo

O presente trabalho se propõe a realizar um estudo teórico acerca da brincadeira em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo. O autismo é identificado como um distúrbio da socialização, com início precoce e curso crônico, que possui um impacto variável em áreas múltiplas e nucleares do desenvolvimento. O conhecimento de que as manifestações comportamentais são heterogêneas e de que há diferentes graus de acometimento, e provavelmente múltiplos fatores etiológicos, deu origem ao termo Transtorno do Espectro do Autismo – TEA. O TEA abrange o Transtorno Autístico, o Transtorno de Asperger, e o Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação (autismo atípico); porém, de forma dimensional e não categórica, apresentando as mudanças presentes no DSM-V. A brincadeira é uma habilidade amplamente reconhecida no campo da Psicologia do Desenvolvimento, sendo responsável por diversos desdobramentos no desenvolvimento infantil. Essa habilidade tão relevante para a criança está, contudo, deficitária nos casos de autismo, em especial, a brincadeira simbólica apresenta prejuízos significativos nesses casos. Assim, a intervenção na brincadeira contribui de maneira singular para o atendimento dessas crianças, promovendo espontaneidade e diminuindo déficits e dificuldades apresentadas pelas mesmas. O brincar em suas propostas lúdicas vem contemplar o grande número de manifestações do espectro, buscando atender cada criança, em suas particularidades, através do jogo coletivo e individual e no atendimento a crianças que apresentam alguma necessidade de intervenção precoce. A brincadeira se apresenta como recurso terapêutico, relacional, lúdico e com foco no investimento de todo o potencial de desenvolvimento infantil, respeitando sua idade (cronológica e corrigida) e suas escolhas, bem como estabelecendo um ambiente acolhedor para estas e suas famílias. A revisão da literatura da área aponta que o brincar foi evidenciado sob a ótica de critérios diagnósticos, sobre sua importância no neurodesenvolvimento infantil e especificidades do brincar no TEA. Conclui-se que tanto para fins diagnósticos, como para fins de intervenção, o domínio teórico sobre a ontologia da brincadeira no desenvolvimento típico, e mais especificamente no quadro do espectro do autismo, é fundamental na prática psicológica.

Publicado
2018-12-17
Como Citar
SILVA, Ricardo Rodrigues da. A importância do estudo da brincadeira no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO CESUCA - ISSN 2317-5915, [S.l.], n. 12, p. 356, dez. 2018. ISSN 2317-5915. Disponível em: <http://ojs.cesuca.edu.br/index.php/mostrac/article/view/1522>. Acesso em: 19 jan. 2019.