Notificação da mordedura canina e sua importância na prevenção da raiva humana

  • Hiago Benetti RITTER
  • Ana Carolina FERNANDES
  • Lucélia Caroline dos Santos CARDOSO

Resumo

Introdução: Entre 1990 e 2009 foram registrados 574 casos de raiva humana no Brasil. Trata-se de uma antropozoonose que ataca o sistema nervoso central e é transmitida ao ser humano através do contato com a saliva do animal infectado. Quando diagnosticada, possui letalidade próxima à 100% dos casos. Estatísticas acerca do quantitativo de acidentes são imprecisos no Brasil, mas estima-se que 4,5 milhões de casos ocorram nos EUA anualmente. Crianças são as mais susceptíveis ao agravo que possui padrão de evolução diversificado, onde 20% progridem para infecção. Profissionais envolvidos no cuidado devem estar atentos à ocorrência de casos e acompanhamento do esquema de tratamento que deve ser específico e individualizado de acordo com características percebidas na investigação e notificação dos casos. Além dos casos envolvendo cães, acidentes com morcegos, macacos, raposas, gatos, guaxinins e outros devem ser investigados, notificados e realizado profilaxia padronizada. Objetivo: Relatar a importância da profilaxia para raiva humana em casos de mordedura canina e a notificação dos casos como estratégia de gerenciamento e promoção de cuidados individuais e coletivos. Metodologia: Revisão da literatura acerca da notificação e padronização quanto a profilaxia em casos de possíveis exposição ao vírus da raiva em situações de mordedura canina. Resultados: A transmissão do vírus do animal infectado para o homem ocorre através da perfuração dos tecidos e consequente penetração do agente em situação de mordedura e, em raros casos, arranhadura e lambeduras de mucosas. A média de atendimentos registrados no Brasil nos últimos anos é de 425.400 casos/ano, onde 64% necessitam de profilaxia pós-exposição. Em casos de possíveis exposições ao vírus, a higienização local com utilização de água abundante é imprescindível, seguida da aplicação de antissépticos no primeiro acolhimento ao paciente. Em atendimento ambulatorial, a anamnese completa seguindo a ficha de notificação para atendimento antirrábico humano será norteador para a profilaxia necessária de acordo com as características da lesão. Local, profundidade, extensão e número de lesões devem ser consideradas e cuidadosamente avaliadas por profissional capacitado para o atendimento e sendo classificados em leves ou graves. O estado de saúde do animal e a possibilidade de observação do mesmo por período de 10 dias podem contribuir para a decisão referente à terapêutica. A aplicação da vacina antirrábica será realizada de acordo com esquema pré-estabelecido pelo Ministério da Saúde onde poderão ser realizadas até cinco doses de acordo com a gravidade do contato. Conclusão: Por tratar-se de uma doença de alta letalidade, a atenção do profissional que realiza o primeiro atendimento às vítimas de mordedura canina pode ser decisivo no prognóstico desses pacientes. A completa e correta investigação dos casos através de ficha de notificação padroniza o atendimento de todos os casos e em todo território nacional. Além de nortear o tratamento, a notificação pode ser utilizada como estratégia de promoção em saúde e prevenção de novas ocorrências pelos profissionais das equipes de saúde. Buscas ativas devem ser realizadas em casos de faltosos ao esquema vacinal como forma de garantir o adequado atendimento dos casos suspeitos.

Publicado
2018-02-20
Como Citar
RITTER, Hiago Benetti; FERNANDES, Ana Carolina; CARDOSO, Lucélia Caroline dos Santos. Notificação da mordedura canina e sua importância na prevenção da raiva humana. MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO CESUCA - ISSN 2317-5915, [S.l.], n. 11, p. 455, fev. 2018. ISSN 2317-5915. Disponível em: <http://ojs.cesuca.edu.br/index.php/mostrac/article/view/1405>. Acesso em: 24 set. 2018.